Anorgasmia -tudo sobre a falta de orgasmo na mulher

A incapacidade de atingir o orgasmo – chamada de anorgasmia – é um tema complexo que tem sido estudado mais nas mulheres que nos homens, uma vez que homens conseguem atingir seu ápice de desejo mais facilmente com uso de remédios como viagras masculinos 

Frequentemente, a causa desta incapacidade está relacionada com a anatomia e com a técnica utilizada para atingir o orgasmo. A maioria das mulheres (de acordo com algumas investigações, cerca de 75 por cento) necessita de estimulação direta do clitóris para atingir o clímax, e as relações vaginais não são o melhor meio para o conseguir. Existem, ainda, outros factores que podem interferir com o orgasmo, como sejam a dor durante as relações sexuais ou problemas psicológicos.

A investigação demonstra que, na realidade, este problema está muitas vezes relacionado com a incapacidade de reconhecer o orgasmo quando este ocorre. Por outras palavras, quando monitorizadas, algumas mulheres apresentam sinais fisiológicos de orgasmo apesar de afirmarem que não tiveram.

Este facto pode dever-se em parte a expectativas não correspondidas – a ideia que o orgasmo deve ser uma experiência dramática e avassaladora apesar de muitas vezes ser bastante subtil.

Qual a melhor forma de estimulação do clitóris?

A estimulação direta do clitóris pode ser feita de várias formas. As mais comuns incluem a estimulação oral do clitóris com a língua ou lábios, denominada de cunnilingus , e a estimulação com os dedos em vez da – ou como complemento da – relação sexual vaginal penetrante.

Além disso, frequentemente os casais têm de experimentar várias posições nas relações sexuais vaginais de forma a determinar qual proporcionará maior estimulação do clitóris. Por exemplo, a chamada posição do missionário (posição deitada, com o homem por cima) pode ser menos eficaz do que a posição em que a mulher fica em cima.

Para mulheres que querem tentar de tudo, ainda há remédios estimulantes que funcionam como basicamente como um viagra feminino e ajudam nos elementos do organismo que produzem a sensação de prazer. Claro que isso não é solução definitiva, mas sempre a vale a tentativa.

Existem outros tipos de estimulação que possam levar a mulher a atingir o orgasmo?

Sim. Não existe uma fórmula universal para o prazer sexual. Certas mulheres dizem ter atingido clímax através de muitas outras formas de fazer amor, incluindo ao ser acariciadas ou beijadas no peito. Algumas relatam que mesmo fantasias as levam ao clímax. Talvez a alternativa mais frequentemente referida para a estimulação do clitóris seja a estimulação no ponto de Grafenberg (ponto-G), uma almofada de tecido que se pode sentir três a cinco centímetros acima na parede da vagina em direção ao estômago.

O ponto-G é assim denominado devido ao ginecologista alemão Ernst Grafenberg (saiba quem é), que foi o primeiro a colocar a hipótese de este poder desempenhar um papel-chave na resposta sexual feminina. Se uma mulher tentar localizar ela própria o ponto-G, pode ter de se agachar ou deitar-se e puxar os joelhos para cima, mudando a posição da bacia de modo a permitir um melhor acesso. Os investigadores discordam quanto à solidez das provas científicas do ponto-G, contudo, um número significativo de mulheres afirma que a estimulação contínua desta área pode conduzir ao orgasmo.

O avançar da idade facilita que a mulher atinja o orgasmo?

Sim. De acordo com o Kinsey Institute New Report on Sex, de 1990, as mulheres atingem mais facilmente o orgasmo nos seus 40 anos, enquanto os homens experimentam a maior frequência de orgasmos durante a adolescência até aos 20 e poucos anos.

Alguns terapeutas acreditam que as mulheres, com o avançar da idade, têm maior facilidade em atingir o orgasmo porque, só então, se começam a sentir mais seguras quanto à sua sexualidade e relacionamentos, mostrando maior capacidade para explorar as suas respostas sexuais. Embora os homens geralmente comecem por experimentar a masturbação enquanto adolescentes, as mulheres apresentam uma menor probabilidade de o fazer, e os estudos sobre a adolescência mostram que as raparigas podem preocupar-se mais em dar prazer a um parceiro que em maximizar o seu próprio prazer.

Qual é a terapêutica recomendada para uma mulher que raramente atinge o orgasmo?

Os terapeutas que trabalham com mulheres com este problema têm em conta vários aspectos, incluindo bloqueios psicológicos e emocionais. Algumas mulheres – e homens – sofrem de ansiedade antecipatória. Eles querem tanto atingir um orgasmo que não conseguem relaxar, respirar normalmente e deixar acontecer.

Falar do assunto com o parceiro e um profissional especialmente treinado, como um sexologista sexo, provavelmente ajudará. Mas é importante realçar que a anorgasmia não é um problema “só da cabeça”, como a sabedoria popular/convencional muitas vezes dita. Normalmente está mais relacionada com a resposta fisiológica individual da mulher à estimulação ou com a técnica sexual do casal.

Como é que se trata um problema que tem a ver com a resposta fisiológica?

Em muitos casos de anorgasmia é essencial aprender mais sobre o seu processo particular de excitação libertando-se dos padrões sexuais existentes. Se é incapaz de ter um orgasmo através de relações sexuais vaginais, por exemplo, tente outra forma.

Muitos terapeutas recomendam que as mulheres experimentem a masturbação (saiba mais sobre a masturbação feminina). De facto, a investigação mostra que as mulheres que se masturbam de forma regular têm mais orgasmos com os seus parceiros, quando comparadas com as que não o fazem. A hipótese explicativa deste facto é que, quando uma mulher se masturba, tem tempo para descobrir, exatamente, quais as formas de estimulação que a excitam, sem estar sujeita a qualquer espécie de pressão.

Os terapeutas podem sugerir exercícios que incluem posições tipo ioga que ajudam a relaxar o corpo ou sensações de elevação em determinadas áreas e também a leitura de livros eróticos ou o envolvimento em várias formas de fantasia para aumentar o processo de excitação. Estas podem incluir o uso de brinquedos sexuais, como vibradores, que provocam intensa estimulação do clitóris e podem levar uma grande percentagem de mulheres ao clímax.

No contexto de uma relação sexual com um parceiro, estas experiências podem incluir o mesmo tipo de exercício com o objectivo de descobrir que áreas são mais excitáveis sexualmente. Os vibradores também podem ser usados como parte destes exercícios.

Os terapeutas sexuais realçam que a experimentação de várias posições, no decurso das relações sexuais, pode mostrar aos casais como maximizar a estimulação. A posição com a mulher em cima, por exemplo, pode ajudá-la a controlar o ângulo de penetração para estimular o clitóris ou o ponto-G.

Falando de experimentação, os vibradores são seguros?

Quando devidamente utilizados, os vibradores são bastante seguros. Os vibradores eléctricos existem desde o fim do século XIX e continuam a evoluir em sofisticação e diversidade. Os vibradores podem encontrar-se em vários tipos de lojas – como é o caso das “sex shops” – bem como em catálogos da especialidade. As mulheres que decidiram experimentar um vibrador pela primeira vez podem ter ficado espantadas com as suas opções. Uma vez a decisão tomada, a mulher tem ainda muito a aprender sobre a utilização deste aparelho.

A aquisição de um livro ou um vídeo educativo sobre vibradores pode ser útil. Muitas pessoas pensam que os vibradores são concebidos para inserção, mas só uma parte destes aparelhos funciona assim. No entanto, os vibradores que podem ser inseridos já levantam questões de segurança. Estes vibradores devem ser limpos após cada utilização para evitar uma contaminação bacteriana. É igualmente importante ter em conta que os vibradores que são inseridos podem ficar alojados na vagina ou no ânus, quando incorretamente utilizados.

Ouvi dizer que existe uma grave desvantagem – os vibradores dessensibilizam o toque normal. Isto é verdade?

Isso pode ser um problema. Os vibradores provocam uma forma de estimulação que pode produzir orgasmos muito depressa nalgumas mulheres. Por esta razão, os utilizadores regulares dos vibradores por vezes têm problemas em reajustar-se ao ritmo mais lento do prazer corpo a corpo. Ao fazer esta transição para a relação sexual com um parceiro, os terapeutas consideram útil que a mulher ajuste as suas expectativas e admita o facto de que a excitação demorará mais tempo.

Ela pode readaptar-se gradualmente à estimulação sem o vibrador. Obviamente que outra abordagem possível é incluir o vibrador ao fazer amor com o parceiro.

Como pode uma mulher experimentar o fenômeno dos “orgasmos múltiplos”?

Clarificar as expectativas pode ser o primeiro passo. Neste espírito, alguns terapeutas preferem usar o termo “orgasmos em série” em vez de “orgasmos múltiplos”, porque algumas mulheres têm a expectativa que os orgasmos se seguem imediatamente uns aos outros. O que é mais realista é pensar que a mulher pode ter mais de um orgasmo com ela própria ou com o parceiro. O primeiro passo é a estimulação continuada após o primeiro orgasmo, algo que nem todos os parceiros farão.

Mesmo que o façam, no entanto, algumas mulheres não respondem à estimulação adicional após um orgasmo porque o clitóris se encontra hipersensível. A solução pode ser esperar alguns segundos após o clímax, continuar a respirar ritmicamente e então continuar com estimulação gentil.

Uma palavra de precaução: alguns peritos salientam que a obsessão por orgasmos múltiplos tende a ser contraproducente e pode interferir com o prazer sexual. Numa análise final, o nível de satisfação sexual de uma mulher não está ligado ao número de clímax que ela tem por ato sexual.

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